31 de outubro de 2011

A flor seca...

"Sem título", 2008  Simone Huck

Encontrei outra flor seca no livro esquecido da estante.
Qual história ela guardaria se nem mais consigo lembrar da minha?

Há rumores de que os planetas descerão.
Você me oferece um cigarro enquanto eu me visto de azul.
Já brindamos no mesmo copo os sonhos e as tormentas.
Bebe?
É apenas um gole de desencanto!

Não temos herança ou pátria.
Essa noite não dormiremos, nem morreremos - não ainda.
Enquanto nossos personagens pedem pra descansar, a gente insiste na história.
Apago a sua boca
Vamos relembrar as palavras que deveríamos ter falado.

Borboletas querem sair da gaiola enquanto pássaros rasgam casulos.
Pendurei seus sapatos no varal.
Você não pode sair descalça, meu amor.
Lá fora há um indeterminado deus. Aqui, um tirano Zeus.

Aquiete-se.
Já anoitecemos na dúvida.
Já esvaziamos as perguntas.
Acabou o medo.
Percebe?
Acende a luz.
Agora você consegue ver:
o motivo,
a razão
e a palavra que nunca mais direi.

9 comentários:

Silmara Franco disse...

Flor seca é o outro nome da memória.
Acho que você já pode sair descalça.
Beijo,
Sil

Poeta da Colina disse...

Somos tantos silêncios, coisas que o tempo leva.

Sandra Regina de Souza disse...

Querida!!! Vim pedir desculpas..r.s.. Ainda bem que seus versos estão aqui...(aproveito para convidá-la a voltar lá pra ler o poema.. acho que acertei agora..rsrs...) Obrigada pela visita! Voe sempre... borboletas são palavras soltas... batendo asas no meu pensamento antes de pousar num poema! beijo

Dilma disse...

Oi,eta,eta,eta."A palavra que nunca mais direi". Perdi meus signos.Vou-me embora para Parságada.Acessarei seu blog de lá, daqui.Vc sempre cheia de talento,mais um escrito bonito.

Sonia Pallone disse...

Seus versos são de uma beleza infinita, minha linda Simone...A poesia das palavras despida a teus pés! Me deixo ficar aqui, junto com a minha emoção...Bjs, linda (adorei a nova foto do perfil)

Sandra Regina de Souza disse...

origa-me

em gestos destros
de (ar)tesão
sua mão
(delicadeza e brancura)
me tateia
me contorna
(morena textura)
me folheia a forma
me metamorfoseia
pálida dobradura
me modela:
crisálida-silhueta
(que) me revela
borboleta
(o poema é este..rs... pena que vc não lê..snif..)

Menina no Sotão disse...

Poucas pessoas conseguem levar silêncio ao meu íntimo. Você consegue. Só podia mesmo ser sagitariana.

Não tem outra possibilidade. Ou será que tem? rs

Escuta. Esse poema é o que vai para a Mostra Plural? Se for, já amei...
bacio

Lilian A. Mello disse...

Oie!

Sigo seu blog pelo reader no meu celular e adoro.

Leio geralmente à noite, e chamo gentilmente esse horário de "retiro espiritual".

Obrigada!

Lilian
www.doce-borboleta.blogspot.com

Menina no Sotão disse...

Ok. Eu acho que o blogger está de sacanagem comigo. Sumiu com o meu comentário pela segunda-vez. Ok. Respirando fundo...

Si, amei essas linhas. Posso publicá-la na edição da Mostra Plural? Diz que sim...

Sei lá, os versos se aninharam na minha pele. Ficaram lá dentro, aqui fora.

Bacio carissima

Ps. Novembro está sendo bom pra você?